Ex-secretário do Tesouro ressalta necessidade de sinalizações mais claras do governo para controle de contas
Da CNN19/12/2024 às 12:50 | Atualizado 19/12/2024 às 13:28

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Adoção de medidas imediatistas e insuficientes, assim como a falta de consenso políticos entre membros do governo, são os obstáculos que impedem que pacote fiscal seja satisfatório, segundo o economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, em entrevista ao WW.
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O pacote fiscal anunciado pelo governo federal no final de novembro não caiu no gosto do mercado. Para o economista, no pior dos casos, o anúncio teria sido neutro. Ele reforça que algumas medidas apresentadas no pacote fiscal foram na direção certa, mas não seriam o bastante para estabilizar a dívida e aponta para uma eventual necessidade de novo ajuste fiscal até 2027.
O economista defende que ainda falta clareza nesse sentido e que, caso o presidente Lula busque a reeleição em 2026, precisará endereçar a questão com eficiência.
“O problema macroeconômico que temos é toda a incerteza em relação ao fiscal e a falta de consenso sobre o que fazer”, disse o economista-chefe do BTG, indicando que o ajuste pode seguir por dois caminhos: aumento de receita ou, preferencialmente, controle de despesa.
Mansueto aponta que o caminho para resolver a economia não é promover cortes de gastos imediatistas, mas sim encontrar medidas para estabilizar o crescimento da dívida pública.Play Video
A gestão Lula recebeu do ex-presidente Jair Bolsonaro uma dívida de valor equivalente a 72% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas de um país. Mansueto aponta estimativas de que, ao final deste mandato, o rombo possa ficar entre 85% e 86% do PIB.
“Quanto antes fizer o ajuste, menor vai ser o custo lá na frente. Se adiar muito o ajuste e chegar no fim do governo com a dívida elevadíssima, vai ter que ter um ajuste fiscal forte em 2027”, concluiu Mansueto.
Segundo ele, a agenda do governo em reduzir benefícios tributários e isenções também vai no caminho correto.
“Reduzir todos os regimes especiais têm apoio de todo mundo que estuda gastos públicos. Temos um problema macro, e resolvê-lo passa por controlar as despesas obrigatórias para os próximos anos”, afirmou.