Os mercados globais registraram forte alta nesta segunda‑feira, impulsionados por um novo sopro de confiança: o United States Senate votou no domingo (9) em favor de uma proposta que abre caminho para encerrar o mais longo shutdown da história dos Estados Unidos, que já se arrasta há cerca de 40 dias.
A perspectiva de normalização na administração federal norte‑americana reduziu o nível de incerteza que vinha pressionando os mercados — especialmente pela paralisação de dados econômicos, interrupção de serviços públicos e incertezas sobre políticas fiscais.
Nos EUA, os contratos futuros do S&P 500 subiram cerca de 0,8%, enquanto os do Nasdaq 100 avançaram aproximadamente 1,3%.
Na Europa, os principais índices também tiveram ganhos expressivos: o DAX (Alemanha) subiu cerca de 1,3%, o CAC 40 (França) em torno de 0,9%, e o FTSE 100 (Reino Unido) avançou cerca de 0,6‑0,8%.
O índice europeu mais amplo STOXX Europe 600 registrou alta de aproximadamente 1,1%.
A paralisação prolongada do governo dos EUA vinha causando um “vazio” de dados econômicos — como o de emprego ou inflação — que dificultava a leitura dos mercados e condicionava decisões da Federal Reserve (Fed).
A aprovação da medida na Câmara e o envio ao presidente ainda são necessários, mas o fato de haver avanço “acalma” os mercados, reduzindo o prêmio de incerteza.
Setores mais sensíveis ao ciclo econômico — indústria, bancos, consumo — lideraram os ganhos, o que mostra que os investidores estão passando de perfil “defensivo” para mais “ativo”.
Apesar do alívio, alguns alertas permanecem:
O acordo atual libera recursos apenas até janeiro de 2026, o que significa que o problema não está completamente resolvido.
A economia americana já sente os efeitos do shutdown: crescimento pode ser mais fraco no quarto trimestre se a paralisação se mantiver.
A retomada dos dados econômicos e a posição do Fed devem entrar no radar com força: caso os indicadores mostrem fraqueza, as apostas por cortes de taxa poderão ganhar força e provocar movimentos de mercado.
O avanço no Congresso dos EUA fez os mercados globais suspirarem de alívio e avançarem com vigor. Mas a euforia carrega um “se” – se o governo reabrir de fato, se os dados econômicos não se deteriorarem e se o ciclo de política monetária permanecer estável. Para investidores, é o momento de “roda solta”, mas com o olho no retrovisor.