OP30 sob Tensão Máxima: Presidência Retira do Texto Final Plano para Combustíveis Fósseis e 30 Países Ameaçam Bloquear o Acordo

21 de novembro de 2025 10:47
Por: Redação

A reta final da COP30, que acontece em Belém (PA) sob presidência do Brasil, foi marcada por uma reviravolta que elevou a tensão a níveis críticos. A coordenação brasileira da Cúpula divulgou nesta sexta-feira (21) um novo rascunho do Pacote de Decisões que eliminou toda e qualquer menção a um roteiro para a transição e eliminação progressiva dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás).

A Exclusão e a Reação Internacional:

A retirada do tema mais sensível da conferência gerou uma reação imediata e forte por parte de nações que defendem ações ambiciosas para limitar o aquecimento global a $1,5^{\circ}\text{C}$.

  • Ameaça de Bloqueio: Mais de 30 países, incluindo membros da União Europeia (França, Alemanha, Espanha), nações da América Latina (Colômbia, Chile, México) e pequenos países insulares (como Palau e Vanuatu), assinaram uma carta conjunta à Presidência.
  • O Ultimato: A carta afirma que eles não apoiarão um acordo final que não inclua um roteiro claro e calendário para uma “transição justa, ordenada e equitativa” para longe das fontes fósseis.
  • Críticas: Organizações ambientais classificaram o rascunho como “ultrajante” e “muito aquém do necessário” para fechar a lacuna de ambição climática. O Greenpeace afirmou que a retirada deixa o mundo sem um “roteiro concreto” para atingir a meta do Acordo de Paris.

O Fator Impasse:

A exclusão ocorre após dias de impasse nas negociações. De um lado, países altamente vulneráveis e desenvolvidos pressionam por um compromisso explícito para o fim dos fósseis. Do outro, nações produtoras de petróleo, como a Arábia Saudita, se opõem firmemente a qualquer linguagem que possa limitar sua produção e receita.

Embora o presidente Lula tenha defendido inicialmente o “mapa do caminho” para o abandono progressivo, o texto final apresentado pelo Brasil cedeu à pressão de países que não querem ver a palavra “fósseis” no acordo.

O que está no novo rascunho?

O novo rascunho introduz um mecanismo chamado “Acelerador Global de Implementação” e reforça a necessidade de financiamento climático de países desenvolvidos, estimado em US$ 1,3 trilhão anuais a partir de 2035. Contudo, sem metas de eliminação de fósseis, esses esforços são vistos por muitos como insuficientes.

O risco agora é de um fracasso na conferência, onde a falta de consenso sobre o tema central pode levar à extensão das negociações ou à paralisação total do processo.

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