A reta final da COP30, que acontece em Belém (PA) sob presidência do Brasil, foi marcada por uma reviravolta que elevou a tensão a níveis críticos. A coordenação brasileira da Cúpula divulgou nesta sexta-feira (21) um novo rascunho do Pacote de Decisões que eliminou toda e qualquer menção a um roteiro para a transição e eliminação progressiva dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás).
A Exclusão e a Reação Internacional:
A retirada do tema mais sensível da conferência gerou uma reação imediata e forte por parte de nações que defendem ações ambiciosas para limitar o aquecimento global a $1,5^{\circ}\text{C}$.
O Fator Impasse:
A exclusão ocorre após dias de impasse nas negociações. De um lado, países altamente vulneráveis e desenvolvidos pressionam por um compromisso explícito para o fim dos fósseis. Do outro, nações produtoras de petróleo, como a Arábia Saudita, se opõem firmemente a qualquer linguagem que possa limitar sua produção e receita.
Embora o presidente Lula tenha defendido inicialmente o “mapa do caminho” para o abandono progressivo, o texto final apresentado pelo Brasil cedeu à pressão de países que não querem ver a palavra “fósseis” no acordo.
O que está no novo rascunho?
O novo rascunho introduz um mecanismo chamado “Acelerador Global de Implementação” e reforça a necessidade de financiamento climático de países desenvolvidos, estimado em US$ 1,3 trilhão anuais a partir de 2035. Contudo, sem metas de eliminação de fósseis, esses esforços são vistos por muitos como insuficientes.
O risco agora é de um fracasso na conferência, onde a falta de consenso sobre o tema central pode levar à extensão das negociações ou à paralisação total do processo.