Congresso mostrará que lamenta 300 mil mortes se subir auxílio para R$ 600

 

 

Enquanto a vacinação em massa não vem, a única forma de frear o massacre de brasileiros pela covid-19 é adotar isolamento social. Mas para que quarentenas e lockdowns deem certo, é necessário que trabalhadores pobres saibam que, se ficarem em casa, seus filhos não dormirão com fome. O Congresso Nacional precisa, portanto, pagar um auxílio emergencial decente e não aquele insulto de R$ 150 a R$ 375, por domicílio, proposto por Jair Bolsonaro e sua equipe econômica

Uma garoupa e uma onça pintada são suficientes para comprar apenas 23% de uma cesta básica em São Paulo, 29%, em Belém e 31%, em Salvador, de acordo com levantamento mensal feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Por essa razão, uma carta assinada por 16 governadores e destinada, nesta quarta (24), aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal pede que o benefício seja no valor de R$ 600, com as mesmas regras do ano passado. Ou seja, com possibilidade de R$ 1200 por casa.

Acreditam que os valores propostos para a retomada do auxílio são insuficientes para a sobrevivência com dignidade em meio à segunda onda da pandemia e, portanto, não ajudam com o isolamento social. Os governadores do Acre, Amazonas, Distrito Federal, Rondônia, Roraima, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás e Santa Catarina não assinaram o documento. A solução para a pandemia é a vacinação. Mas como Bolsonaro não encomendou doses o suficiente no ano passado, a imunização completa da população, que poderia vir em junho, só ocorrerá no final do ano ou em 2022. Até lá, precisamos de temporadas de isolamento e, portanto, de auxílio.

Isso sem contar que o governo Bolsonaro tem sido rápido para liberar armas e munição e facilitar a compra de agrotóxicos, mas não teve pressa para voltar com o benefício. O que teria salvado vidas e impedido um baque ainda maior na economia. O Congresso Nacional pode emitir sinais de indignação à vontade para tentar se dissociar do negacionismo e da omissão, como fez, nesta quarta, o presidente da Câmara, Arthur Lira, ao dizer que a crise pode provocar um “remédio amargo”. Amargo contra Bolsonaro.

Mas se quiserem provar que não são feitos do mesmo material que o chefe do Poder Executivo, terão que demonstrar para quem realmente trabalham. E aprovar um auxílio para ajudar a evitar que, daqui a alguns meses, estejamos chorando mais 300 mil mortos.

Fonte: https://noticias.uol.com.br