Dólar acima de R$ 6: veja qual é a expectativa dos economistas para 2025

3 de janeiro de 2025 09:38
Por: Redação

Com a moeda em um patamar elevado, os preços tendem a subir e setores como o varejo já admitem reajustes nos preços em janeiro

Da CNN , São Paulo03/01/2025 às 03:20

Dólar encerrou primeiro pregão do ano em queda, mas se manteve em R$ 6,16
Dólar encerrou primeiro pregão do ano em queda, mas se manteve em R$ 6,16 • 08/02/2021 – REUTERS/Dado Ruvic
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O mercado de câmbio brasileiro enfrentou uma desvalorização significativa em 2024, com o dólar encerrando o ano em R$ 6,18, uma alta de cerca de 27% em relação ao início do período.

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A moeda chegou a abrir 2025 em alta, tocando os R$ 6,22 ao longo do dia, mas acabou fechando a sessão desta quinta-feira (2) em queda de 0,22%, a R$ 6,1651 na venda. Ainda assim, especialistas avaliam que o câmbio deve permanecer acima de R$ 6 durante – pelo menos – o primeiro trimestre do ano.

“É de se esperar uma suavização do câmbio, e que no final do primeiro trimestre ele esteja em um nível, não vou chamar nível de equilíbrio, mas é de se esperar um retorno do câmbio para algo em torno de R$ 6,05, 6,10”, afirmou Márcio Estrela, consultor da Associação Brasileira de Câmbio (Abracam).

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A alta do dólar preocupa setores produtivos. Com a moeda em um patamar elevado, os preços tendem a subir e setores como o de varejo já admitem reajustes nos preços em janeiro.

Além de elevar o custo para a importação de insumos, o câmbio depreciado torna o mercado externo mais atrativo para uma série de setores, como a agroindústria.Play Video

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A Flourish chart

“Para 2025, a recuperação do real dependerá de uma combinação de fatores. Reformas estruturais capazes de atrair investimentos, aliados a um ambiente externo mais favorável, poderão reduzir a pressão cambial”, afirma Einar Rivero, analista da Elos Ayta.

O desempenho registrado pelo real em 2024, colocou a moeda como a mais desvalorizada entre 27 economias analisadas em levantamento feito por Rivero.

O resultado foi o pior para a divisa brasileira desde 2020 e a terceira maior desvalorização em termos nominais desde 2010. Completam o pódio os anos de 2015, durante o segundo mandato da então presidente Dilma Rousseff (-31,98%), e 2020, ápice da pandemia de Covid-19 (-22,44%).

“O desempenho do real em 2024 ilustra os desafios enfrentados pelo Brasil em um cenário global adverso e diante de incertezas domésticas. A análise das flutuações cambiais ao longo dos últimos 15 anos destaca a volatilidade inerente à economia brasileira e reforça a importância de medidas consistentes para garantir estabilidade e previsibilidade aos agentes econômicos”, concluiu Rivero.

Dólar sobe 27% em 2024; veja o que esperar para 2025 | Abertura de Mercado

Influências

Segundo especialistas, o principal fator para a alta do câmbio é o cenário doméstico, com as incertezas sobre a sustentabilidade fiscal das contas públicas.

“A grande dúvida vai vir de Brasília, de como é que o trio Executivo, Legislativo e Judiciário vai trabalhar para o ano que vem. Brasília é uma surpresa, qualquer coisa que desagradar pode fazer [o câmbio] voltar a piorar”, questiona Alexandre Cabral, professor da Saint Paul Escola de Negócios.

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