De acordo com diretora da fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, peixes chegaram ao Rio Pinheiros vindos do Córrego do Sapateiro e estão concentrados em pequeno trecho, mas se saírem dali, a água está altamente poluída ainda e não há condições de se manterem vivos.

Imagens de peixes nadando no Rio Pinheiros, nas Zonas Sul e Oeste de São Paulo, ganharam as redes sociais nos últimos dias (veja mais no vídeo acima). Mas, de acordo com diretora da fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, ainda é cedo para dizer que esse aparecimento cada vez mais comum dos peixes seja consequência do projeto de despoluição do governo do estado (veja mais no vídeo acima).
A despoluição do Rio Pinheiros se arrasta desde a década de 1990 – segundo o governo do estado, ela deve terminar no final de 2022. Até lá, será preciso construir estações de tratamento e retirar toneladas de entulho ao longo dos 25 quilômetros do rio.
Segundo Malu, os peixes só sobrevivem no Rio Pinheiros porque estão perto de pontos onde desembocam outros rios e córregos que já estão despoluídos.
“Esses peixes só conseguiram aparecer no rio porque os afluentes, no caso aí o Córrego do Sapateiro – que vem da Paulista, passa pela Vergueiro, Parque do Ibirapuera e chega ao Pinheiros – foi recuperado. Toda essa região recebeu saneamento. Então, essas águas com melhor qualidade abrigam os peixes estão voltando a receber esses ecossistemas aquáticos.”
De acordo com Malu, o pequeno trecho do rio no qual os peixes foram vistos é mais oxigenado com a água limpa e, assim, oferece condição de vida aquática.
“Mas, se os peixes saírem dali, a água já está sem oxigênio, está altamente poluída ainda e não há condições de se manterem vivos no Rio Pinheiros”, explica ela.
‘Não jogue lixo nos córregos’
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Serviço de desassoreamento do Pinheiros, removendo lixo do fundo do rio — Foto: Marcelo Brandt/G1
Para reduzir o esgoto despejado nos afluentes que deságuam no Rio Pinheiros, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) terá de conectar 533 mil imóveis à rede de esgoto. Até agora apenas 231 mil foram regularizados. Até o final de 2022, mais 300 mil imóveis ainda terão de ser conectados à rede de esgoto. O investimento é de R$ 1,7 bilhão.
Para o presidente da Sabesp, Benedito Braga, a população também precisa colaborar.
“O que é importante, nesse processo, é que a população entenda que é possível, sim, limpar o Rio Pinheiros e que tem de fazer a parte dela. Como? Não jogando lixo nos córregos. Porque a Sabesp está fazendo esse trabalho no meio da pandemia, entrando em regiões de difícil acesso, como comunidades, e dialogando com as pessoas, fazendo as conexões de esgoto, e esses córregos [estão] ficando limpos”, afirma.
De acordo com Braga, o risco é o de que o rio volte a ficar cheio de garrafas PET quando chover.
“Nós temos que aproveitar essa oportunidade que as pessoas viram esses peixes chegando nos afluentes, da melhoria gradativa do Pinheiros, e fazer a sua parte, não jogar o lixo nos córregos. Até 2022, vai estar tudo limpinho. Aí, não podemos ter esse lixo flutuante, que são milhares de toneladas que são retiradas todos os anos do Pinheiros – e dos nossos córregos, por consequência.”
Algumas das imagens dos peixes nadando no Rio Pinheiros foram divulgadas pelo empresário Rogério Lioi Monastero, que sempre pedala na ciclovia da Marginal Pinheiros e costuma observar o rio. Um dia, ele avistou peixes na água.
“Aí um dia eu passei mais devagar e vi os peixes, estava olhando para o rio, vi os peixes aí eu voltei e comecei a filmar, porque ali é um riacho de água muito límpida que desemboca no rio. Então a Sabesp está fazendo o tratamento de alguns riachos, está começando a limpar o riacho aqui perto de casa”, contou.
O empresário garante que não é a primeira vez que viu peixes ali.
“O peixe é sempre a tilápia. São tilápias grandes, bonitas que têm lá. Estão se alimentando de algumas algas nesse córrego”, afirmou.
Enquanto o Pinheiros não fica totalmente limpo, Rogério continua sonhando com um rio diferente.
“Acho que todos sonham em ter um rio maravilhoso e navegável. O que a gente sonha seria você poder, por exemplo, jogar um caiaque, um stand-up e poder navegar no rio. Isso acho que é o sonho de todos os paulistanos, ver uma melhora.”
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Fonte: G1.com
