A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, Joneuma Silva Neres, de 33 anos, está no centro de um escândalo que mistura romance proibido, facções criminosas e uma fuga cinematográfica de presos.

Ela é acusada pelo Ministério Público da Bahia de envolvimento direto na fuga de 16 detentos da unidade em dezembro de 2023. Desde então, apenas um dos fugitivos foi localizado — e morreu em confronto com a polícia.
As investigações apontam que Joneuma manteve um relacionamento amoroso com Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, apontado como líder de uma facção ligada ao crime organizado no Rio de Janeiro. Segundo depoimentos, ela teria autorizado visitas íntimas, acesso a objetos proibidos dentro da cela e encontros reservados com o detento.
A ex-diretora ficou apenas nove meses no cargo, mas nesse período, segundo as investigações, teria permitido regalias como entrada de roupas, sanduicheiras, ventiladores e até um freezer. Além disso, Dadá e outros detentos foram colocados na mesma cela pouco antes da fuga, usando uma furadeira para abrir buraco no teto e escapar com apoio externo de homens armados e carros SUVs.
Atualmente presa no Conjunto Penal de Itabuna, Joneuma está com um bebê recém-nascido, gerado enquanto ainda estava no cargo. A defesa nega envolvimento com a facção e também contesta uma suposta transferência de R$ 1,5 milhão recebida pelo esquema.

Outro detalhe que chama atenção no processo é a ação judicial que Joneuma moveu contra o ex-deputado Uldurico Pinto, a quem atribui a paternidade da criança. Uldurico, que foi candidato à prefeitura de Teixeira de Freitas em 2024, nega qualquer relação e disse que quer realizar o teste de DNA o quanto antes.
Além dela, outras 17 pessoas foram denunciadas, incluindo o ex-coordenador de segurança do presídio, Wellington Oliveira Sousa, que está preso em Teixeira de Freitas. Ele teria sido conivente com as irregularidades e ajudado no esquema, segundo o MP.
A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado (Seap) declarou que está colaborando com as investigações e que não tolera privilégios dentro do sistema carcerário. Agentes da Força Penal Nacional estão reforçando a segurança do presídio após uma tentativa de atentado contra o atual diretor, Jorge Magno Alves.