FAMÍLIA DE MARIA DE JESUS, DE 89 ANOS, NÃO CONSEGUE LIBERAR O CORPO POR CAUSA DE DIVERGÊNCIA NOS DOCUMENTOS; DEFENSORIA PEDIU EXAME DE DNA À JUSTIÇA

POR: PAULO VITOR / REDAÇÃO

Uma família do povoado Cajueiro, na zona rural de Serrinha, vive uma situação angustiante há mais de dois meses. Maria de Jesus, de 89 anos, morreu no dia 26 de junho, no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, mas o corpo permanece no necrotério da unidade.

O impasse envolve uma divergência no nome da idosa nos documentos. Segundo os familiares, os documentos dos filhos registram a mãe como Maria Maximiliana Alves da Silva, enquanto a documentação da falecida consta como Maria de Jesus.

A diferença tem dificultado a comprovação do parentesco necessária para que o hospital entregue o corpo à família.

Maria passou cerca de 30 dias internada no Hospital Municipal de Serrinha e, posteriormente, foi transferida para o HGCA, em Feira de Santana. Ela permaneceu aproximadamente 15 dias na unidade antes de morrer.

Segundo o filho, José Luiz Alves da Silva, a família foi informada sobre o problema documental quando procurou o hospital para fazer a liberação do corpo.

Os familiares afirmam que já reuniram documentos antigos, incluindo registro de casamento e outros registros que, segundo eles, podem ajudar a comprovar a identidade da idosa e o vínculo familiar.

Diante do impasse, a Defensoria Pública solicitou à Justiça a realização de um exame de DNA. O pedido foi protocolado em 20 de agosto e ainda aguarda análise judicial.

O neto Robenilson Bispo dos Santos Silva relatou o sofrimento da família diante da demora.

O que a gente pede é uma solução dos órgãos públicos para que a gente possa retirar o corpo de nossa avó de lá. Porque ela é um ser humano, ela merece um sepultamento digno como os outros, como todos”, afirmou.

A demora também tem afetado familiares que vivem longe de Serrinha. Para os parentes, além do luto pela perda da idosa, existe a angústia de não poder realizar a despedida e o sepultamento.

A situação mobilizou ainda moradores do povoado Cajueiro. Segundo a comunidade, Maria era uma pessoa conhecida e querida na região, frequentava uma igreja e era lembrada pelo acolhimento aos vizinhos.

Em nota, o Hospital Geral Clériston Andrade informou que segue rigorosamente a legislação vigente para a liberação de corpos. A unidade afirmou que, até o momento, os requerentes não apresentaram documentação oficial suficiente para comprovar o parentesco exigido para a liberação.

O hospital informou ainda que o corpo permanecerá sob sua guarda até que a documentação necessária seja apresentada ou até que exista uma decisão judicial autorizando a liberação.

A Defensoria Pública explicou que o caso envolve, de um lado, a necessidade de confirmar juridicamente a identidade da idosa e, de outro, o direito da família de realizar a despedida e o sepultamento.

O Tribunal de Justiça da Bahia foi procurado para informar sobre o andamento do pedido judicial, mas não havia apresentado resposta até a publicação das informações.

Enquanto aguardam uma decisão, os familiares continuam sem conseguir sepultar Maria de Jesus.

“O que queremos é enterrar nossa mãe com dignidade”, afirmou José Luiz Alves da Silva.

FONTE: G1 BAHIA / TV SUBAÉ

IMAGENS: g1

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