Suspensão nas remessas de componentes afeta montadoras, fabricantes de eletrônicos e setor de energia; Ministério do Desenvolvimento tenta acordo emergencial com Pequim.
O governo brasileiro pediu oficialmente à China a retomada das exportações de chips e semicondutores para o Brasil, após um corte repentino no fornecimento afetar diversos setores da economia. A solicitação foi feita pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que vê risco de paralisação parcial na produção de veículos, eletrônicos e equipamentos de energia solar.
Segundo fontes do governo, o pedido foi encaminhado à Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC) e à Associação de Fabricantes de Semicondutores, em caráter emergencial. A interrupção no fluxo comercial estaria relacionada a ajustes internos no controle de exportações chinesas, que priorizam mercados estratégicos como EUA e Europa.
A crise dos chips já tem reflexos no Brasil: montadoras instaladas em São Paulo e Minas Gerais reduziram a produção e deram férias coletivas a funcionários. Fabricantes de smartphones e painéis solares também relatam dificuldade em manter estoques.
O ministro Geraldo Alckmin afirmou que o governo busca diversificar fornecedores e acelerar o projeto de reindustrialização tecnológica nacional, que inclui o incentivo à produção de semicondutores no país.
“Precisamos garantir autonomia e segurança produtiva. Não podemos depender de um único mercado”, declarou Alckmin.
A estimativa é que, se o impasse persistir, o Brasil possa perder até R$ 8 bilhões em produção industrial até o fim do ano.