Justiça Federal bloqueia quase R$ 400 milhões em bens de empresas investigadas por danos ambientais em São Tomé de Paripe

Medida foi solicitada pela Polícia Federal durante investigação sobre possível contaminação do solo, das águas subterrâneas e do ambiente marinho

Por: Paulo Vitor / Redação

A Justiça Federal na Bahia determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 387,6 milhões em bens de empresas investigadas por possíveis danos ambientais na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador. A informação foi divulgada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (20).

A medida cautelar foi solicitada pela própria Polícia Federal no âmbito de um inquérito que apura a possível contaminação do solo, das águas subterrâneas, da faixa de areia e do ambiente marinho da região.

Desde fevereiro, moradores têm registrado a presença de manchas azuladas, amareladas e esverdeadas na areia e na água do mar. Em maio, análises confirmaram a presença de substâncias como cobre e nitrato.

A praia permanece em situação de emergência, com recomendação para que a população evite o banho de mar e a pesca na região.

Investigação aponta possível contaminação ambiental

Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram após denúncias de moradores e fiscalizações realizadas por órgãos ambientais, que identificaram indícios de degradação na área próxima ao terminal portuário de São Tomé de Paripe.

Exames periciais, análises laboratoriais e diligências realizadas durante a investigação apontaram níveis elevados de substâncias que não seriam compatíveis com os padrões ambientais aplicáveis.

Os investigadores também identificaram elementos que podem indicar a existência de uma fonte ativa de contaminação, além de possíveis impactos sobre o ecossistema costeiro e atividades tradicionais da comunidade, como a pesca artesanal e a mariscagem.

Valor bloqueado é destinado à recuperação ambiental

De acordo com a PF, o valor de R$ 387,6 milhões corresponde à estimativa dos custos necessários para a realização de medidas de contenção, remediação e recuperação da área afetada.

Ao analisar o pedido, a Justiça Federal considerou que existem indícios suficientes da ocorrência de dano ambiental e da necessidade de preservar o patrimônio das empresas investigadas para garantir eventual reparação dos prejuízos.

A decisão tem caráter cautelar e ocorre durante a investigação. O bloqueio de bens não representa, por si só, uma condenação das empresas.

Empresas se manifestam

A Gerdau informou que acompanha o caso e que está dialogando com autoridades e órgãos competentes para buscar uma solução social e técnico-ambiental para a região.

A empresa também afirmou que não opera no local desde 2022 e destacou que não possui histórico de eventos semelhantes na região.

Já a Intermarítima, responsável pelo Terminal Itapuã, declarou solidariedade aos moradores de São Tomé de Paripe e afirmou que continua colaborando com as investigações.

Segundo a empresa, estudos preliminares indicaram que a contaminação teria origem em período anterior, quando o terminal era operado pela Gerdau. A Intermarítima afirmou ainda confiar que os órgãos responsáveis chegarão a uma conclusão definitiva sobre a origem do problema.

Empresas podem responder por crimes ambientais

Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes relacionados a danos ambientais e poluição com potencial de causar prejuízos à saúde ou ao ecossistema, além de outras infrações que eventualmente sejam identificadas durante o andamento das investigações.

As apurações continuam para determinar a origem da contaminação e as responsabilidades pelos danos registrados na região.

Fonte: g1 Bahia