Subtítulo: População da Penha denuncia excesso de violência policial; operação envolveu forças de segurança estaduais e federais e deixou cenário de guerra na Zona Norte do Rio.
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O número de mortos após a megaoperação realizada nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, subiu para 128 nesta terça-feira (28). De acordo com informações da Defensoria Pública e de organizações locais, moradores levaram pelo menos 64 corpos para a principal praça da Penha, em protesto contra o que classificam como excesso de violência policial.
A ação, que começou nas primeiras horas da manhã, mobilizou policiais civis, militares e federais, além de helicópteros e blindados. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio, o objetivo era cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV), organização criminosa que atua no tráfico de drogas e de armas.
Entre os mortos estão cinco policiais e diversos suspeitos de envolvimento com o tráfico, mas também há relatos de vítimas civis, incluindo moradores atingidos durante os confrontos. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram cenas de desespero, corpos sendo transportados em carrinhos de mão e ruas tomadas por fumaça e veículos incendiados.
A Defensoria Pública do Estado pediu a suspensão imediata das operações até que haja uma apuração independente sobre as mortes. Em nota, o órgão afirmou que “há indícios de graves violações de direitos humanos e possível execução de pessoas desarmadas”.
O governador Cláudio Castro defendeu a operação, afirmando que “o Estado não pode se curvar ao crime organizado”. Já o Ministério dos Direitos Humanos anunciou que enviará uma equipe ao Rio para acompanhar as investigações e avaliar denúncias de abusos.
Moradores relataram falta de luz, de transporte e de serviços básicos durante toda a terça-feira. Escolas e postos de saúde ficaram fechados, e a circulação de ônibus foi suspensa por medidas de segurança.
A operação, considerada uma das mais letais da história do Rio, reacende o debate sobre o uso da força policial nas comunidades e a necessidade de políticas públicas para reduzir a violência urbana.