Durante operação, foram apreendidos contratos, computadores e carros de luxo. Lista aponta 600 investidores, mas investigadores ainda levantam número de vítimas e valor do prejuízo.
A Polícia Civil realizou, na manhã desta quarta-feira (24) em Belo Horizonte, uma operação contra o Medina Bank, que resultou na prisão de dois responsáveis pela empresa, de 39 e 60 anos. Pai e filho foram detidos por suspeita de prática de pirâmide financeira.
De acordo com a polícia, o suposto banco oferecia rendimento fixo de 15% ao mês. Durante as investigações, os suspeitos entregaram uma listagem com 600 investidores, mas, de acordo com a delegada Monah Zein, o número de vítimas e o valor do prejuízo ainda estão sendo apurados.
Além dos mandados de prisão, três mandados de busca e apreensão foram expedidos para os endereços dos suspeitos e da empresa. Entretanto, um dos imóveis estava vazio, e a polícia encontrou os dois detidos vivendo na mesma casa, cujo aluguel é de R$ 18 mil.
Com eles, foram apreendidos cinco carros de luxo, computadores e diversos documentos. Um dos veículos custa R$ 250 mil, e o valor teria sido pago em dinheiro.

“Eles alegam que trabalhavam com investimentos de bitcoins, investimentos esses que até agora não conseguiram comprovar”, disse a delegada.
Para angariar os investidores, os suspeitos distribuíam marmitas e também contratavam pessoas para entregar panfletos de propaganda na cidade, pagando a quantia de R$ 100.
Monah explicou como funcionava o esquema. Segundo ela, no início, cada pessoa cooptada investia o dinheiro e recebia o rendimento de 15% nos primeiros meses. Maravilhadas, conforme a delegada, essas pessoas inclusive ajudavam a buscar outros investidores. Em um dos casos, o investimento chegou a R$ 300 mil.
“Esse dinheiro que fica no aporte, na base da pirâmide, parte fica com o dono da pirâmide e outra parte fica ali se pagando. Cada novo investidor recebe o pagamento de outro investidor. No começo, é muito interessante porque há muito dinheiro, todo mundo recebe. Só que a pirâmide vai afunilando até o momento em que quanto mais investidor tiver, menos dinheiro vai ter para pagar porque tem muita gente para pagar embaixo. Então, ela quebra”, afirmou.
De acordo com a delegada, o caso começou a ser investigado antes mesmo de a pirâmide quebrar. Segundo ela, neste momento, os investidores estão começando a procurar a Polícia Civil. Quatorze boletins de ocorrência foram registrados.
Monah também informou que a polícia pediu a quebra de sigilo bancário, além do bloqueio de bens. “Hoje, a gente apreendeu muito documento, muitos contratos, uma imensidão de cheques de pessoas que seriam prejudicadas”, disse.
Um dos suspeitos contraiu a Covid-19 recentemente e ficou internado em um hospital particular da capital, mesmo sem plano de saúde. De acordo com a delegada, a conta com a internação chegou a cerca de R$ 500 mil.
O G1 não conseguiu contato com a empresa Medina Bank.
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Fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2021/03/24/policia-prende-dois-suspeitos-por-pratica-de-piramide-financeira-em-bh-empresa-oferecia-rendimento-de-15percent-ao-mes.ghtml
