Trégua entre EUA e China: alívio temporário ou prenúncio de nova tensão global?

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Estados Unidos e China anunciaram uma pausa de 90 dias na guerra comercial. As tarifas de importação recíprocas foram temporariamente reduzidas: os EUA cortaram de 145% para 30%, enquanto a China baixou de 125% para 10%.

Apesar do alívio imediato no mercado financeiro e da reação positiva de investidores, economistas avaliam que a medida é transitória e não garante estabilidade.

“É um prazo curto. Os países têm três meses para tentar um acordo mais amplo, envolvendo acesso a mercados e outras questões sensíveis”, afirma Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior.

A suspensão parcial das tarifas vem após recuos importantes do governo Trump, que, desde a campanha, adota uma postura protecionista. A estratégia visa fortalecer a economia doméstica, mas eleva custos para empresas americanas e pressiona a inflação.

Se os preços continuarem subindo, o Federal Reserve pode aumentar os juros, o que tende a reduzir o consumo e desacelerar a economia. A preocupação se estende a outros países, diante do risco de uma desaceleração global.


Mercado reage com cautela

A trégua teve impacto imediato: o dólar ganhou força, os títulos públicos dos EUA subiram, bolsas globais reagiram com otimismo e commodities se valorizaram.

“O acordo ainda carece de detalhes, mas trouxe alívio. O mercado interpreta como uma correção após semanas de incertezas”, diz André Valério, economista sênior do Inter.

Apesar do respiro, analistas destacam que o mercado seguirá volátil até que surjam avanços concretos.

“O investidor está mais analítico. O risco de estagflação diminuiu, mas o cenário ainda exige cautela”, afirma Bruna Sene, da Rico Investimentos.


Efeito limitado nas empresas e no comércio

Para o setor produtivo, o impacto é ainda mais contido. Empresas devem adotar postura conservadora, evitando novos contratos ou grandes investimentos até que as negociações avancem.

“Ninguém vai correr risco antes de saber o que será decidido após os 90 dias”, explica Barral.

Segundo Hudson Bessa, da Fipecafi, a trégua pode abrir uma janela de oportunidade pontual.

“Pode haver aumento de compras no curto prazo para evitar tarifas, mas isso não sinaliza retomada sustentável”, diz.